A propósito de...

DE UMA CERTA IMPRENSA

por Gabriel Fernandes

Há por ai uma certa imprensa que só avança com algumas notícias depois da outra imprensa ter feito o eco devido. Já se conhece a estratégia: tudo o que seja dar “na cabeça” dos nossos governantes alguns jornalecos, veículos de interesses pessoais dos seus proprietários, submete a informação ao crivo apertado da sua peneira e, na maioria dos casos, censura-a, fazendo de conta que não sabe de nada, saindo com uma versão muito limitada da questão ou não dizendo nada. Quando acontece o inverso, quando o alvo é o acusador das arbitrariedades de departamentos governamentais, aparece, lépida, a debitar a banha da cobra do costume.

Os episódios são vários e aconteceu uma vez mais agora com a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa, que deu razão aos que entendem que o último plenário do Conselho das Comunidades Portugueses foi tudo menos uma reunião democrática de um órgão que representa as comunidades portuguesas por esse mundo fora.

Não vale a pena apontar o dedo a este ou aquele, porque o reparo servirá de carapuça a alguns. Eles sabem bem quem são e sabem ainda ao que me refiro e porque me refiro.

Várias foram as ocasiões em que tive oportunidade de referir o facto das comunidades portuguesas não disporem de uma informação despida de interesses governamentais, partidários e de ambição pessoal.

Saudemos pois o aparecimento do Canal Comunidades, que se assume como um veículo informativo isento, apartidário e plural.

Já era tempo dos milhões de portugueses espalhados pelos cinco continentes terem uma tribuna para a defesa dos seus direitos e legítimos interesses.