O NOSSO COMENTÁRIO
No dia a seguir ao vergonhoso comportamento do Presidente da Mesa do Plenário do CCP, que, a mando de interesses partidários, manipulou e desvirtuou a eleição do Conselho Permanente e validou as escolhas das presidências das Comissões Temáticas, uma conselheira de Macau, atarefada com as estratégias a adoptar nos dias seguintes, ignorava as chamadas de atenção para as ilegalidades ocorridas, insistindo que tudo tinha sido feito de acordo com as regras em jogo.
Ainda hoje não sabemos a que regras se referia essa conselheira, mas não deixa de ser curioso referir – e fazemo-lo apenas agora, não fosse o reparo entendido, na altura, como uma forma de pressão à impugnação então apresentada – que a senhora conselheira estridentemente afirmava que de leis percebia ela e acostumada estava a tratar de vários casos em Macau, entenda-se República Popular da China.
A representante daquele Estado do oriente estava errada. As leis Portuguesas funcionaram ao nível de qualquer país democrático e a decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa faz-nos reflectir sobre que percepção de justiça a carismática ex-conselheira tem.
Não deixa ainda de ser curioso o facto de um outro conselheiro de Macau, inesperadamente “designado” presidente do CCP, ter vindo a público elogiar o apoio recebido do governo da República Popular da China para a sua eleição. Foi isso que todos nós entendemos e foi isso que nos deixou a todos perplexos.
A decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa em anular a eleição do Conselho Permanente do CCP era esperada. Outro desfecho não podia haver
O Plenário do CCP em Outubro passado foi cenário das tropelias mais vergonhosas e aviltantes alguma vez presenciadas em sessões do CCP. Ultrapassou os limites da decência. Dividiu os conselheiros, cavou um fosso terrível entre os que defendiam a legalidade e os oportunistas que se compram por um prato de lentilhas. Foi tudo menos uma reunião magna de uma estrutura das comunidades portuguesas, já descredibilizada mas agora ferida de morte se salvaram. Nem o próprio Secretário de Estado das Comunidades que assistiu, impávido e sereno, à derrocada da Assembleia dos Portugueses residentes no estrangeiro. A O CCP deixou de existir. Paz à sua alma.
Gabriel Fernandes